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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Sendo arteira

Certa feita li num dos livros da Liz Gilbert (na verdade Elizabeth, o Liz é pela intimidade criada ao longo das leituras), algo sobre as ideias morarem temporariamente em alguém, ou vagarem até que um ou outro as resgate.

Tenho impressão de que ando distraída demais a ponto de não perceber (ou näo permitir?) que a inspiração passeia por aqui querendo-me como pouso. Escrever não tem mistérios pra mim. Nunca teve. Às vezes, pá! Assunto vem, texto nasce. Ultimamente nem pá!, nem ideia, nem texto. Fase magra de palavras.

Eis que, se a criatividade literária não me tem flertado, minhas mãos tem sido seduzidas para outros instrumentos. Do caderno e caneta a pincéis e tintas, do teclado a agulhas e linhas.

Deixo por enquanto a inspiração para escrever,  pousar em outras mentes. Dou chance e agarro as ideias que pairam mais próximas, mais acessíveis, menos exigentes de atenção. Porque a escrita é exigente, carente de permissão.

E se não tenho escrito, tenho crochetado. Este post alimenta-se de pontos altos e baixos, carreiras, ganchos, correntinhas - um faz, desfaz, faz de novo!

Prefiro estar criativa, a ser. Prefiro que a inspiração venha magicamente, produza e saia em busca de outra mente necessitada.

Antes da Renascença era comum usar  expressão "ter um gênio", em vez de "ser um gênio", o que colocava a criatividade como algo separado do criador, permitindo a leveza de acreditar que há dias improdutivos, nulos de inspiração. Além disso, evitava a responsabilidade de produzir sempre coisas geniais, e permitia a criação espontânea, o que podia ser a obra prima ou não.

Pois bem, se as ideias podem vagar por aí à procura de um lar, elas certamente irão embora se não encontrarem a menor abertura ou disposição em fazê-las ficar. Ou será se entram mesmo assim como o raio de sol, não importando o tamanho da fresta?

Acho que por aqui tem raiosinhos de ideia invadindo. Se não é para escrever, que seja para arteirar.














terça-feira, 20 de setembro de 2016

Microconto

Microconto
Não é minha função

O segurança do lugar entrou na sala e disse:
"- Vim devolver isso aqui. Ele disse pra você pedir pra alguém daqui fazer, porque isso não é serviço dele."
O recém-chegado funcionário recebeu o recipiente com lubrificante, desapontado. É que há alguns minutos ele havia pedido ao segurança que alguém da limpeza aplicasse um pouco do óleo nas dobradiças de uma porta.
Desde que chegara, o ranger da porta o incomodava assim como a todos que entravam ou saíam daquela sala. Comprou um desses lubrificantes comuns para resolver o problema.
Após ouvir o recado, acomodou o produto em sua mesa. Minutos depois foi lá ele mesmo e lubrificou as dobradiças - era o que deveria ter feito logo.
O barulho acabou. Ninguém notou a porta calar. O bem não precisa ser terceirizado, nem proclamado. Basta que alguém o pratique.